• catiamourao

Quanto vale uma vida?

Talvez a pergunta pareça “genérica”, desprovida de sentimentos por ter caído no uso comum. Mas, no momento em que perdemos milhares de vidas para um inimigo invisível e cruel, que não distingue cor da pele, posição social ou opção de gênero, ela se faz imprescindível, pois é ela que define quem pertence (ou não) à raça humana. O que nos leva a próxima pergunta: você pertence à RAÇA HUMANA?

A resposta, lógica e imediata, é sim. Mas paremos um instante para analisar. O que é SER HUMANO?

O termo, que deriva do latim, significa que o SER (pessoa) dessa espécie tem um cérebro altamente desenvolvido, com inúmeras capacidades como o raciocínio abstrato, a linguagem e a introspecção. Outros processos de pensamento de alto nível como a autoconsciência, a racionalidade e a sapiência são considerados características que definem uma "pessoa".

Os seres humanos são sociais por natureza, hábeis em utilizar sistemas de comunicação verbal, gestual e escrita, trocar ideias e se organizar. Tais interações criaram uma grande variedade de normas sociais e éticas, assim como leis e valores que, em conjunto, formam a base da sociedade humana.

A cultura humana é marcada pelo apreço à beleza e estética, o que levou a inovações como a arte, a literatura, a música, a filosofia, as ciências, a mitologia e a religião. Portanto, humanos são considerados dependentes da CULTURA.

SER HUMANO é o resultado do entrelaçamento do aspecto individual, no sentido biológico, e social, no sentido cultural. Ou seja, ao se apropriar da cultura e de tudo que a espécie humana desenvolveu, o homem se torna HUMANO.

HUMANO também é adjetivo e significa: BONDOSO; aquele que é piedoso, indulgente, compreensivo: que se mostrou humano.

Esclarecida a nossa pergunta, vamos aos fatos.

Mais letal do que o Coronavírus é o vírus da ignorância, que ameaça (e não mais de forma silenciosa) todos aqueles que vivem DA ou defendem a CULTURA. Negacionismo, exclusão da ciência e atos desumanos que tentam amenizar a gravidade do momento que a humanidade atravessa, não podem mais ser aceitos ou tratados com indiferença.

É responsabilidade de todos que não compactuam com esse pensamento, com essa forma de encarar o mundo; todos os que se importam, que têm empatia e lamentam VERDADEIRAMENTE cada uma das milhares de vidas perdidas para a pandemia; que choram por cada ser humano a menos em nosso belo planeta azul, levado pelo vírus que nos assola; TODOS nós precisamos nos posicionar.

Não dá mais para ficarmos em cima do muro, assistindo como meros espectadores atitudes como a de Pedro Almeida, editor e curador do Prêmio Jabuti, que vem a público minimizar a gravidade da situação, tripudiando sobre a dor de milhares de famílias que perderam seus entes queridos para essa luta desleal que estamos travando contra o Coronavírus.

NÃO! Não podemos aceitar de braços cruzados que instituições como a CBL, organizadora do Prêmio e representante do setor editorial do país, mantenha na curadoria do Jabuti alguém que, DEFINITIVAMENTE, não se enquadra nas definições básicas do adjetivo que caracteriza os seres pertencentes à raça HUMANA; alguém desprovido de empatia e amor ao próximo, que só conhece e se importa com o que provém do dinheiro e das finanças de sua empresa.

Precisamos defender a cultura! E mais do que isso, precisamos defender a humanidade. Não podemos ser permissivos com esse tipo de posicionamento, do contrário seremos engolidos pelo fascismo e teremos diariamente demonstrações neonazistas, com apelos genocidas, como as que temos presenciado em diversos setores do país.

Não podemos permitir que o cinismo e negação transformem a cultura em espaço de obscurantismo. Permanecer calado nesse momento é ser conivente com o fascismo que avança a largos passos. A cultura não pode ser usada para apoiar ou disseminar ideias negacionistas e levianas, com o objetivo de disseminá-las às massas.

Por isso, mais do que uma carta de repúdio, esse é manifesto, com o intuito de convocar cada um de vocês, leitores ou não, brasileiros sim, mas, acima de tudo HUMANOS, que boicotem esses que se posicionam contrariamente à humanidade.

Não compartilhem suas postagens, deixem que falem sozinhos. Excluam seus perfis de suas listas, deixem de seguir suas páginas, não comprem os produtos produzidos por suas empresas.

E quando tudo isso passar (porque, acredite, vai passar), não frequentem seus eventos, suas lojas, seus restaurantes... Mostrem a eles, da única maneira que são capazes de entender (no bolso), que sem nós, os HUMANOS, eles não são nada.


Catia Mourão Editora


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